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CONTRATA+BRASIL E MEIS: COMO APROVEITAR O ACESSO ÀS COMPRAS PÚBLICAS SEM CAIR EM ARMADILHAS CONTRATUAIS

Equipe técnica do escritório Schiefler Advocacia

Compras públicas simplificadas: oportunidade real para microempreendedores

O Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) anunciou a expansão do Contrata+Brasil para permitir que escolas públicas em Roraima, atendidas pelo PDDE, contratem serviços de manutenção e pequenos reparos com procedimentos simplificados, ampliando o acesso de MEIs ao mercado público.

Para muitos microempreendedores, vender ao poder público representa uma verdadeira virada de chave: há demanda recorrente, pagamentos vinculados a regras formais e a possibilidade de construir um histórico de fornecimento.

No entanto, mesmo em modelos simplificados, continuam valendo princípios e deveres típicos das contratações públicas, e a falta de atenção pode resultar em glosas, multas, impedimento de contratar e até problemas fiscais.

O que muda (e o que não muda) para o MEI

A simplificação tende a reduzir barreiras de entrada, mas não elimina exigências básicas. De modo geral, o MEI deve estar atento a:

  • Regularidade cadastral e fiscal: dados atualizados, situação ativa e emissão adequada de nota fiscal quando exigida.
  • Compatibilidade do objeto: o serviço ofertado precisa estar dentro das atividades permitidas ao MEI e compatível com o CNAE registrado.
  • Capacidade de execução: cumprimento de prazos, fornecimento de materiais, eventual equipe de apoio quando permitido, logística e disponibilidade.

O ponto central é que o contrato público não funciona como um cliente comum. Ele envolve rotinas específicas de medição, fiscalização, aceite formal do serviço e documentação comprobatória da entrega.

 

Riscos jurídicos e administrativos mais comuns

Mesmo em serviços de pequeno porte, os problemas recorrentes costumam ser previsíveis:

  1. Inexecução parcial, com entrega abaixo do padrão mínimo, fora da especificação ou sem comprovação adequada;

  2. Atrasos e ausência de comunicação formal ao contratante;

  3. Documentação incompleta, como ausência de nota fiscal, recibos, relatórios, fotos ou termo de recebimento;

  4. Subcontratação indevida ou utilização de terceiros em desacordo com o edital/termo de referência;

  5. Sanções: advertência, multa, suspensão/impedimento de contratar, além de registro em cadastros.

 

Para as unidades contratantes, como escolas, o risco também existe. Contratação sem lastro documental adequado, falhas na elaboração do termo de referência, fiscalização frágil e pagamentos sem comprovação podem gerar apontamentos por órgãos de controle interno e externo.

Boas práticas para contratar e executar com segurança

Para MEIs e pequenas empresas, algumas medidas simples reduzem significativamente a exposição a riscos:

  • Leia o termo de referência como um checklist: escopo, materiais, padrão de qualidade, prazos, forma de medição e critérios de aceite.

  • Formalize todas as comunicações: dúvidas e imprevistos devem ser registrados pelos canais oficiais.

  • Organize um dossiê de execução: fotos antes e depois, relatórios, notas fiscais, comprovantes de entrega e termos assinados.

  • Cuide da precificação: inclua despesas, deslocamento e obrigações fiscais no cálculo do valor do serviço.

Para o contratante público, recomenda-se padronizar rotinas de fiscalização, exigir comprovação mínima da execução e registrar formalmente a motivação das decisões, como aceite, glosa ou ajustes.

Como o escritório pode auxiliar

O suporte jurídico pode ser decisivo sem burocratizar a operação:

  • Orientação para cadastro e documentação, com análise de CNAE e compatibilidade do objeto;

  • Revisão do instrumento convocatório ou termo de referência, com foco em riscos de execução e pagamento;

  • Apoio na gestão contratual, incluindo aditivos, pedidos de reequilíbrio quando cabíveis e organização da comprovação de entrega;

  • Defesa em processos administrativos sancionadores, com elaboração de pedidos de reconsideração e recursos.

Com organização documental e disciplina na execução, o Contrata+Brasil pode se consolidar como uma porta de entrada segura para o mercado público e um diferencial competitivo relevante para o microempreendedor.

Fonte

Como citar e referenciar este artigo:
SCHIEFLER ADVOCACIA. Contrata+Brasil e MEIs: como aproveitar o acesso às compras públicas sem cair em armadilhas contratuais. São Paulo: Schiefler Advocacia, 2026. Disponível em: https://schiefler.adv.br/contratabrasil-e-meis-como-aproveitar-o-acesso-as-compras-publicas-sem-cair-em-armadilhas-contratuais/ Acesso em: 22 fev. 2026
direito administrativo Schiefler Advocacia
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