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A NOVA POLÍTICA DE IA DA RECEITA FEDERAL: O QUE MUDA PARA O CONTRIBUINTE?

Equipe técnica do escritório Schiefler Advocacia

Portaria RFB nº 647/2026 traz novas diretrizes de governança algorítmica que transformarão o contencioso e a conformidade fiscal.

A Nova Fronteira da Fiscalização: Receita Federal Institui Política de Inteligência Artificial

A relação entre Fisco e contribuinte acaba de entrar em uma nova fase, oficializada pela Portaria RFB nº 647/2026. A norma, publicada em 5 de fevereiro, estabelece a Política de Inteligência Artificial da Receita Federal do Brasil (RFB). Embora o uso de tecnologia para cruzamento de dados não seja novidade, a institucionalização de diretrizes éticas, técnicas e de governança para o uso de IA sinaliza um aprofundamento na capacidade de análise massiva de dados pelo órgão.

Para o setor corporativo e para os contribuintes em geral, compreender essa política impacta diretamente na capacidade de atendimento às normas de conformidade tributária e compliance.

 O Que Muda com a Portaria RFB nº 647/2026?

A nova portaria define os princípios que regerão o uso de sistemas de IA pela Receita, com destaque para a supervisão humana, transparência, não discriminação e responsabilidade. Na prática, isso significa que a Receita Federal busca legitimar juridicamente o uso de algoritmos preditivos e de triagem, antecipando-se a questionamentos sobre a validade de autuações ou seleções de fiscalização baseadas exclusivamente em “caixas pretas” algorítmicas. 

Pilares da Governança de IA no Fisco

  1. Controle Humano: A norma estabelece que decisões não devem ser tomadas de forma 100% autônoma pela máquina sem a possibilidade de revisão ou supervisão por um auditor fiscal, mas sim que a IA seja utilizada como mecanismo de apoio para a decisão final.
  2. Rastreabilidade: O comportamento do sistema de IA deve ser documentado, permitindo auditorias sobre como o algoritmo chegou a determinada conclusão.
  3. Gestão de Riscos: A implementação de salvaguardas para evitar vieses que poderiam levar a fiscalizações discriminatórias ou desproporcionais.

Implicações Jurídicas e Riscos para Empresas

O uso intensivo de IA pela Receita Federal altera o equilíbrio de forças no contencioso tributário e na gestão fiscal. Com sistemas de IA, a capacidade de detectar anomalias em tempo real aumenta exponencialmente. O cruzamento não será apenas de valores declarados versus valores recebidos, mas de padrões de comportamento, análise de redes de fornecedores e até inferências sobre planejamento tributário abusivo baseadas em dados não estruturados. Isso exige das empresas uma revisão imediata da qualidade dos dados enviados no SPED e em outras obrigações acessórias. Inconsistências que passavam despercebidas pelo “olho humano” ou por cruzamentos simples agora levantarão bandeiras amarelas automáticas.

A importância de defesas técnicas

Um ponto crucial para a defesa jurídica é a explicabilidade, definida pela norma como a capacidade de um sistema ou modelo de IA de apresentar, de forma compreensível ao ser humano, as razões, os fatores ou o processo que levaram ao resultado ou à decisão produzida.

Se uma empresa cai na malha fina ou é autuada com base em uma triagem de IA, surge a questão: como impugnar o algoritmo? A Portaria 647, ao mencionar transparência, abre caminho para que advogados tributaristas exijam, em processos administrativos ou judiciais, a fundamentação lógica da seleção fiscal, circunstância que permitirá a elaboração de teses defensivas. Defesas genéricas, solução muitas vezes adotada por alguns contribuintes, não terão mais eficácia, pois será necessário contrapor a inteligência de dados do Fisco com auditoria de dados própria e defesa técnica qualificada.

Responsabilidade e Compliance

Esse movimento da Receita Federal transmite uma mensagem clara para a governança corporativa: o compliance tributário deve ser proativo. A IA trabalha 24 horas por dia e aprende com novos padrões de evasão, de modo que a era de “arriscar para ver se a Receita pega” está se encerrando. Empresas devem investir em suas próprias ferramentas de tecnologia de análise fiscal para identificar riscos antes que o algoritmo do governo o faça.

Como o Escritório Pode Auxiliar

Nossa equipe de Direito Tributário e Digital está preparada para auxiliar clientes nesta transição tecnológica do Fisco:

Defesa em Autuações Automatizadas: Atuação no contencioso administrativo questionando não apenas o mérito tributário, mas a validade dos critérios algorítmicos utilizados.

Adequação de Governança de Dados: Consultoria para estruturar o fluxo de informações fiscais da empresa, garantindo integridade e reduzindo a exposição a riscos.

A evolução tecnológica da fiscalização torna a conformidade uma realidade necessária para todos os contribuintes. Planejamento e preparação são as melhores soluções para evitar quaisquer problemas com o Fisco.

 

Fonte

Como citar e referenciar este artigo:
SCHIEFLER ADVOCACIA. A Nova Política de IA da Receita Federal: O Que Muda para o Contribuinte? São Paulo: Schiefler Advocacia, 2026. Disponível em: https://schiefler.adv.br/a-nova-politica-de-ia-da-receita-federal-o-que-muda-para-o-contribuinte/ Acesso em: 21 fev. 2026
Compliance Tributário Fiscalização inteligência artificial Portaria RFB 647 Receita Federal
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